Fundação CMPC: Como mediar com crianças sobre o uso dos aparatos eletrônicos?

A Fundação CMPC convidou dois especialistas para um webinar para aprofundar como construir esse relacionamento que veio para ficar.

Em média, no Chile, as crianças têm seu primeiro telefone aos 10 anos e aos 13 anos mais de 90% têm seu próprio dispositivo, segundo dados da Pesquisa de Critérios da Radiografia Digital. O papel que pais, mães e cuidadores desempenham diante de seus filhos e sua relação com os aparelhos eletrônicos começa a ser uma questão de peso.

Como a tendência indica que esses números continuarão crescendo, a Fundação CMPC realizou o webinar: “Aparelhos eletrônicos e tecnologias na infância: O papel dos mediadores”, que teve como convidados Paulina Ruiz PhD em Educação e Acadêmica pela Universidade de Bristol, Inglaterra e José Pablo Escobar PhD e Md em Psicologia e Pesquisador Associado em Tecnologias pelo CEDETi-UC.

Para os especialistas não existe uma receita mágica nem única na hora de tentar regular o uso de aparelhos eletrônicos em crianças, mas existem várias dicas que ajudam a manter uma relação mais equilibrada com as novas tecnologias.

A diretora executiva da Fundação CMPC, Carolina Andueza, afirmou que “cada família tem um mundo diferente, mas temos que impedir que a tecnologia tenha o papel do cuidador, as interações com nossos filhos, especialmente os pequenos, são insubstituíveis”.

Então, qual é o papel do mediador? A acadêmica Paulina Ruiz defendeu que é preciso “entender a mediação parental como um equilíbrio e acho que saiu um pouco na discussão, até agora, um equilíbrio entre regular e restringir, mas também ser um agente que convida a usar recursos, convida ao diálogo que cria oportunidade”.

Ela acrescentou, no entanto, que “para as crianças menores de dois anos de idade, os aparelhos eletrônicos não substituem a interação pessoal. As crianças, os bebes antes de começarem a falar se beneficiam muito da presença e do acompanhamento próximo.”

Na primeira infância, disse, “o uso dos aparelhos eletrônicos deve ser mais uma atividade dentro de outras sem tecnologias”, acrescentando que “quando possível, e depende da idade das crianças que compõem uma casa, que seja um plano familiar onde existe negociação. Obviamente, com crianças muito pequenas pode ser mais difícil, mas isso não significa que a interação seja um diálogo, pode ser uma interação não verbal.”

“É importante, com os mais pequenos, privilegiar essa interação com objetos reais, essa interação com seus cuidadores, sobretudo, pela relevância no desenvolvimento sensorial e motor”, enfatizou Carolina Andueza.

Na mesma linha, José Pablo Escobar ressaltou que “a criança precisa de interação com o mundo real”, pois para as crianças menores de dois anos “é importante desenvolver todas as habilidades sensoriais e motoras para poder construir todo esse edifício de inteligência”.

Ele defendeu que o uso de aparelhos eletrônicos e tecnologia em menores “devemos levar em consideração à situação e o contexto de cada uma das famílias, e pensando nas necessidades específicas que elas podem ter, para que está sendo usado esse tempo nos aparelhos eletrônicos” e destacou que o problema começa quando “as crianças deixam de fazer coisas para estar na frente da tela e se a criança estiver se privando de experiências com as outras crianças de sair com a família para interagir com a família”.

Se você quiser assistir o webinar completo novamente, você pode encontrá-lo em nosso canal do YouTube HIPPY Chile como “Aparelhos eletrônicos e tecnologia: Nosso papel mediador”.

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